segunda-feira, 3 de novembro de 2008

A HISTÓRIA SOCIAL DO SIMBOLISMO


A sesta (a partir de Millet) (1890),
de Van Gogh






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O fato de uma estética literária vigorar em determinado momento histórico não significa que todas as pessoas e grupos sociais daquele momento tinham vivido e pensado da mesma forma. Pode-se dizer que nas épocas históricas há uma ideologia predominante, mas não global.
Nas últimas décadas do século XIX, por exemplo, em meio à onda de cientificismo e materialismo que deu origem ao Realismo e ao Naturalismo, surge um grupo de artistas e intelectuais que põem em dúvida a capacidade absoluta da ciência de explicar todos os fenômenos relacionados ao homem. Não crêem no conhecimento “positivo” e no processo social prometidos pela ciência.
Pensam que, assim como a ciência, a linguagem é limitada. A primeira, para traduzir a complexidade humana, e a segunda, para representar a realidade como ela de fato é, podendo, no máximo, sugeri-la.
Estudar a literatura do período implica conhecer a crise espiritual que marcou esse momento histórico e ver de que modo ela acarretou uma nova forma de ver e sentir o mundo e, conseqüentemente, uma nova forma de expressão artística: a arte simbolista.

Fonte: Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 2: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005


COSMOS E PSIQUE

O Simbolismos é um movimento que atravessa o final do século XIX, e que exprime a tonalidade espiritual de uma época, conciliando o cosmos e a psique. A experiência poética associa-se, então, à meditação meta-física. A beleza torna-se um ideal, com rejeição lógica da sociedade "burguesa". Há um desencanto generalizado, o mundo entra em crise, o escritor afirma-se "decadente" e refugia-se num universo imaginário, construíido uma filosofia do nada, do aniquilamento, da desesperança e do cepticismo.


Fonte: (Isabel Pascoal. Introdução. In: Camilo Peçanha. Clepsidra. Biblioteca Ulisséia de Autores portugueses. p. 16.)





FIQUE LIGADO - ENEM


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Para você ampliar seus conhecimentos sobre o Simbolismo e a arte no final do século XIX, eis algumas sugestões.
VÍDEOS
O eclipse de uma paixão, de Agnieszka Holland; Camille Claudel, de Bruno Nuytten; Sonhos, de Akira Kurosawa (coletânea de histórias, entre as quais uma é relacionada ao pintor pós-impressionista Van Gogh).
LIVROS
Sobre o teatro do século XIX: Judas em sábado de Aleluia e O noviço, de Martins Pena (Ediouro); Caiu o mistério e Como se fazia um deputado, de França Júnior (Ediouro); A capital federal e O dote, de Artur Azevedo (Ediouro); O inspetor-geral, de Gogol (Ediouro); Casa de bonecas, de Henrik Ibsen (Veredas); Senhorita Júlia, de Auguste Strindberg. Outros: O médico e o monstro, de Robert Louis Stevenson (Nova Fronteira); O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde (Imago); Flores do mal, de Charles Baudelaire (Nova Fronteira); Uma temporada no inferno, de Arthur Rimbaud (L&MP); Mallarmé, de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos (Perspectiva); Iluminuras, tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Mauricio Arruda Mendonça (Iluminuras).
ARTES PLÁSTICAS
Conheça a obra dos pintores impressionistas e pós-impressionistas, como Manet, Renoir, Monet, Cézanne, Van Gogh, Gauguin, Toulouse-Lautrec e Klimt, e a dos pintores simbolistas, como Moreau, Redon, Gauguin. Conheça também, as artes aplicadas, o movimento art nouveau, e leia Vida e obra de Vincent Van Gogh, de Janice Anderson (Ediouro).
SITES
universoliterario.vilabol.uol.com.br/simbolismo.html
portalliterario.site.uol.com.br/simbolismo.htm
PESQUISA
Pesquise sobre as relações entre Simbolismo e o Romantismo, incluindo a tendência Gótica.
Fonte : Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 2: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

REDAÇÃO - DICAS

O poder do verbo

A coordenadora de redação da Fuvest, o maior vestibular do país, fala sobre os bastidores da prova e ensina o bê-á-bá para fazer o texto perfeito.

Todos os anos, a professora Maria Thereza Fraga Rocco tem uma tarefa de peso: preparar a prova de redação do vestibular mais concorrido e temido do Brasil - a Fuvest -, que faz a peneira dos candidatos que ingressarão na Universidade de São Paulo (USP). Mas o trabalho árduo começa mesmo quando os vestibulandos terminam a parte deles: é hora de ela supervisionar a correção de nada menos que 38 mil redações. Na entrevista a seguir, Maria Thereza - que coordena as áreas de português e redação da Fuvest - tira as principais dúvidas em relação à prova, dá dicas importantes para acertar no texto e adverte: "A redação só é um terror para quem não investe tempo em desenvolvê-la". Tomou nota?

Como é preparada a prova de redação da Fuvest?
A escolha do tema começa já em abril. No decorrer do ano cultivamos seis ou sete possibilidades de assunto, mas só fechamos mesmo em novembro. Não escolhemos nada que requeira conhecimento prévio e profundo do jovem. Pedimos temas que exijam que ele saiba refletir, julgar, analisar sob diversos ângulos, e nunca tópicos referentes às notícias recentes de jornal. Os estudantes ficam preocupados com a possibilidade de que caiam temas como a violência urbana, o aquecimento global, o gás natural na Bolívia. Não vai cair nada disso, já digo de cara!

E como é feita a correção?
Cada redação é escaneada e entregue a um par de corretores - professores treinados desde novembro -, que ficam em salas diferentes. Esses pares são sorteados todos os dias, e nenhum corretor sabe quem é seu par. São 72 professores, que ficam em duas salas enormes, uma distante da outra. Cada sala tem também dois coordenadores de correção, para ajudar no caso de dúvida em algum quesito. Há ainda a possibilidade de a prova passar por uma terceira correção. É feita uma média das notas dadas pelos dois corretores, mas as vemos separadamente no computador de controle. Se a diferença entre elas passar de 10 pontos, uma terceira pessoa é chamada para fazer outra avaliação.

O que pesa mais na hora de dar a nota?
Temos pontuações específicas para os três itens que a redação aborda: relação tema-texto, desenvolvimento e expressão. Por expressão refiro-me aos aspectos de concordância, regência, acentuação etc. Mas não ficamos atrás de erros se eles não trouxerem prejuízo ao entendimento. Aliás, essa parte é a que tem o menor valor. Dos três itens, o que pesa mais é a relação tema-texto. Em seguida vem o desenvolvimento da redação, a maneira como o candidato escreve sobre o assunto que delimitou. Verificamos se ele responde à questão que levantou, se a exemplifica, e assim por diante.

E no caso dos candidatos que não abordam o tema proposto?
É zero. Se eu peço ao candidato que fale de uma casa de alvenaria e ele me diz das folhas verdes que costumam existir nas florestas, a menos que ele seja um gênio e faça uma relação perfeita, está fora do tema. Nossas propostas são muito bem explicadas. Se o candidato não entende, o processo seletivo já começa ali.

Existe alguma forma de se preparar para a redação?
Existe: fazendo textos. Podem-se, por exemplo, produzir redações na escola ou em casa e discutir sobre elas com um professor ou um colega. As versões - que são os rascunhos - não podem ter aquele sentido antigo, de algo que se descarta no lixo. Aquela primeira versão é um anteprojeto do texto. E, à medida que ele for refeito, revisto e criticado, vai crescendo. Quem sabe escrever sabe escrever com a prática de desenvolver a escrita. A leitura é muito importante, mas a relação entre ler um texto e produzir outro não é automática.

O que o vestibulando deve ter em mente para escrever um bom texto?
A coerência, a coesão, o uso adequado de conectivos. Mas há um ponto muito importante: o conceito de autoria - quando se pode perceber que determinado texto foi de fato escrito por aquele candidato. Não nos interessa se a opinião é politicamente correta. As boas redações são aquelas que obedecem ao discurso dissertativo - que têm começo, meio e fim - e são fruto da independência do pensamento de cada um. Ficamos exaustos de ver a "camisa-de-força" enfiada nos jovens pela escola ou pelos cursos preparatórios.Muitos alunos escrevem numa estrutura engessada de cinco ou seis parágrafos: começam com um "desde a Antiguidade"; no segundo parágrafo usam "por um lado"; no terceiro, "no entanto"; no quarto, "por outro lado"; no quinto, "é preciso, porém, considerar"; e, no sexto, "em resumo". Formalmente, a estrutura é corretinha. Mas o que se vê? Que os conectivos nada têm a ver com o restante do parágrafo.Outra coisa que não se deve fazer: tentar mostrar erudição a qualquer custo. É comum vermos coisas do tipo: "como diz o grande poeta latino" ou "como escreveu Sócrates"... são chiques! Mas, ora, Sócrates não escreveu nada! O pior é que todo ano encontramos as mesmas citações. Sinal de que os alunos foram treinados para citar. O candidato deve citar, sim, mas com competência, sabendo o que está fazendo.Você já encontrou redações de todo tipo.

Quais foram as que mais a marcaram, para o bem e para o mal?
Há redações que arrepiam, a ponto de falar "meu deus, quando eu crescer quero ser igual a esse menino ou menina". Sempre que aparece uma redação linda, bem escrita, os coordenadores me chamam e eu vou correndo para ler. Um exemplo é o texto de uma moça que veio de Santa Catarina para prestar medicina. A redação dela era uma coisa! Foi no ano em que o tema era uma catraca instalada no centro de São Paulo como forma de manifestação artística: a moça queria tirar as catracas de sua mente, os momentos enferrujados que impediam a passagem de novas idéias. Era uma redação maravilhosa.Em oposição, lembro de outra que começava assim: "Como estou feliz! Um lindo dia de sol neste 8 de janeiro em que vou fazer vestibular. É primavera". Oito de janeiro é verão. No hemisfério norte é inverno. Não há primavera no mundo nessa data! Ou seja...

Fonte: Almanaque Abril 2008.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Notícia ou reportagem?


No texto a seguir, o estudioso Juarez Bahia comenta as diferenças entre notícia e reportagem.
Vejam quais são elas.

a) Enquanto a notícia nos diz no mesmo dia ou no seguinte se o acontecimento entrou para a história, a reportagem nos mostra como é que isso se deu. Tomada como método de registro, a notícia se esgota no anúncio; a reportagem, porém só se esgota no desdobramento, na pormenorização, no amplo relato dos fatos.

b) O salto da notícia para a reportagem se dá no momento em que é preciso ir além da notificação - em que a notícia deixa de ser sinônimo de nota - e se situa no detalhamento, no questionamento da causa e feito, na interpretação e no impacto, adquirindo uma nova dimensão narrativa e ética.

c) Com essa ampliação de âmbito a reportagem atribui à notícia um conteúdo que privilegia a versão. Se a notícia é geralmente a história de uma só versão [...], a reportagem é por dever e método a soma das diferentes versões de um mesmo acontecimento.

d) [...] É fundamental ouvir todas as versões de um fato para que a verdade apurada não seja apenas a verdade que se pensa que é e sim a verdade que se demonstra e tanto que possível se comprova.

Fontes

Jornal, história e técnica – As técnicas do jornalismo. 4. ed. São Paulo: Ática, 1990. v. 2, p 49-50.
Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 2: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005.

Como é uma reportagem - Definição e passos a seguir


Como a notícia a reportagem também é um gênero jornalístico.
Seu objetivo é dar a conhecer um fato com maior profundidade, ampliando o enfoque sobre ele por meio da apresentação de dados estatísticos, mapas, gráfico, fotografias, etc., além da opinião da equipe de reportagem e de pessoas envolvidas com o assunto.
· Os veículos utilizados para a transmissão das reportagens são os jornais escritos e falados, em revistas e na internet.
· Não há prioridade na reportagem ela se ocupa tanto da informação como do comentário.
· Procurando manter a neutralidade da imprensa em relação aos assuntos e fatos abordados usam-se uma linguagem impessoal. Entretanto, em algumas situações a linguagem deixa transparecer a posição jornalística sobre o fato ou assunto tratado.
· Uma reportagem é formada de vários textos, nos quais normalmente são apresentados fatos, opiniões, dados estatísticos, tabelas e mapas relacionados ao assunto principal.
· A linguagem é clara, objetiva, direta, tendendo à impessoalidade, acessível à maioria dos leitores, e embora deixe claras as opiniões dos jornalistas.
· A variedade lingüística utilizada é a padrão da língua.
· As formas verbais e os tempos que predominam é o presente, em terceira pessoa. Pois diferentemente da notícia, esse tempo verbal predomina na reportagem devido à ampliação do enfoque sobre os fatos, ao buscar diferentes versões para eles. O presente do indicativo produz no leitor a impressão de que novas versões ou interpretações dos fatos podem surgir, isto é, de que a discussão sobre o assunto continua em aberto.

Agora que você observou as características de uma reportagem veremos os passos de como montar uma matéria:
a) Entrevistem pessoas que possam opinar a respeito do assunto e/ou procurem informações sobre ele em jornais e revistas. Reúnam alguns textos sobre os acontecimentos principais, curiosidades, entrevistas, estatísticas, fotos.
b) Organizem o material obtido e escrevam a reportagem procurando transmitir junto com as informações o ponto de vista do grupo e dos entrevistados sobre o assunto.
c) Procurem estabelecer conexões entre o assunto principal e assuntos paralelos, por meio de citações, trechos de entrevistas, tabelas, mapas, boxes informativos, estatísticas, fotografias, etc.
d) Escrevam em linguagem objetiva e clara e empreguem a variedade padrão da língua.
e) Tenha em mente o leitor de sua reportagem – colegas da sua classe e de outras, professores, familiares e amigos.
f) Planejem o aspecto visual da reportagem, isto é, a distribuição dos textos em colunas ou não a posição das fotos, títulos, tabelas, etc. Lembrem-se de que as fotos devem ser acompanhadas de legendas. Dêem à reportagem um título que atrais a atenção do leitor e, ao mesmo tempo, indique o assunto que ela tem por tema. Se julgarem necessário, criem também um subtítulo.
g) Montem a reportagem e façam uma revisão cuidadosa, seguindo esses passos: observe se a reportagem apresenta informações, opiniões e diferentes pontos de vista sobre o assunto. Observe se há conexão entre o fato principal e fatos paralelos, feita por meios de citações, trechos de entrevistas, boxes informativos, fotografias, etc. Observe se a linguagem está de acordo com o gênero textual e adota a variedade padrão da língua. Modifique o que for necessário e sob a orientação do professor, apresentem sua matéria jornalística.

Bom trabalho!

Fonte: Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 2: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

ACORDO ORTOGRÁFICO

Voo Linguístico

Cinco meses antes da data prevista para entrar em vigor, o acordo ortográfico da língua portuguesa já é uma realidade.

Fruto do investimento de milhões de reais, estão chegando às livrarias brasileiras neste mês centenas de títulos - entre didáticos, paradidáticos e obras de referência - convertidos às novas regras, que já tomaram as salas de aula do Estado.

Para os que ainda duvidam que a forma de escrever o idioma vai mudar no dia 1º de janeiro de 2009, coroando esforços de unificação que se arrastam desde 1924, basta abrir um dos 60 mil exemplares do Minidicionário Houaiss da Língua Portuguesa à venda no país desde 1º de agosto e procurar verbetes como "lingüística", "vôo" e "heróico". Eles não estarão lá. Em seu lugar, entraram as formas novas "linguística", "voo" (por isso, o título desta página parece errado à primeira vista) e "heroico". A trema e o circunflexo em algumas formas verbais e em casos de duplo "o" foram abolidos.

Uma das primeiras obras com a grafia reformada, o Houaiss é uma manifestação concreta de que a mudança é para valer. A conversão da obra consumiu sete meses e R$ 500 mil.-

No dia 1º de janeiro, os dicionários que não contemplarem a reforma estarão automaticamente defasados. Nosso raciocínio, ao lançar o Houaiss adaptado, foi que não faria sentido alguém comprar um dicionário com vida útil de apenas quatro meses - explica o editor Roberto Feith.

Os editores correram para fazer esses lançamentos porque dão como certa a assinatura pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva do decreto que aplica o acordo a partir do ano que vem. Segundo Godofredo de Oliveira Neto, presidente da Comissão de Língua Portuguesa do Ministério da Educação (MEC), a previsão é que a assinatura ocorra em 29 de setembro, centenário da morte de Machado de Assis. Ele afirma que a seguir uma campanha nacional de esclarecimento será lançada.

Também se antecipando à reforma, professores de língua portuguesa começaram a ensinar as novas regras no Estado. No Colégio Vicentino Santa Cecília, de Porto Alegre, a novidade chegou em maio, quando a ratificação do acordo pelo Parlamento português levou o Brasil a movimentar as engrenagens da mudança. A professora Anna Regina Souza iniciou o trabalho levando aos alunos de 5ª e 6ª séries reportagens sobre o assunto.

- Achei melhor fazer isso agora porque esses estudantes já começaram a aprender as regras antigas e vão precisar se adaptar. Cada um deles vai produzir um pequeno livro aplicando a ortografia nova, para servir como um manual das mudanças - diz.

No Colégio Champagnat, também da Capital, estudantes de Ensino Médio compareceram na manhã de sexta-feira ao Laboratório de Informática e compararam na internet as diferenças entre textos portugueses e brasileiros. Os alunos deveriam avaliar o impacto que o acordo terá sobre os textos.

Transição vai até 31 de dezembro de 2012

Nas escolas estaduais, a nova ortografia deve ser ensinada em lugar da atual a partir do próximo ano letivo. Maria Teresa Rossi, da divisão de Ensino Médio da Secretaria Estadual da Educação, afirma que, mesmo existindo um período de transição no qual as duas formas serão válidas, não há razão para continuar a lecionar uma norma em vias de ser abolida.

- Seria marcar passo - defende.

Pela proposta de implantação do acordo elaborada pela comissão presidida por Oliveira Neto, a transição vai até 31 de dezembro de 2012. É um intervalo durante o qual a atual e a nova ortografia serão igualmente legais. Isso significa, por exemplo, que os estudantes poderão escrever as redações do vestibular com a forma ortográfica que preferirem. A PUCRS estuda até mesmo aceitar já em dezembro, quando realiza seu concurso, a nova ortografia na Redação.

No caso dos livros didáticos, os editores não tiveram a mesma folga para se adaptar. Por decisão do MEC, todos os livros de 1ª a 5ª séries distribuídos pelo governo federal nas escolas públicas já deverão ser na nova ortografia em 2010. Isso significa 80 milhões de exemplares reescritos. Como o processo de seleção dessas obras está ocorrendo neste ano, 1.239 títulos de 36 editoras já foram convertidos para poder participar da escolha. Pelas exigências do governo federal, os livros de 5ª a 9ª série deverão estar corrigidos em 2011, e os de Ensino Médio, em 2012.

A disputa pelo mercado do ensino privado também levou as editoras a se mexer. Como os estabelecimentos escolhem neste ano as obras que vão adotar no próximo, linhas inteiras de didáticos e paradidáticos estão sendo impressas com a grafia que só vai existir no ano que vem.
ITAMAR MELO10/08/2008

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2107266.xml&template=3898.dwt&edition=10446§ion=76

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O EFEITO DO RISO

O riso pode apresentar um aspecto físico, cognitivo e emocional.


Ao escutar uma piada, daquelas que nos fazem disparar a rir, são produzidos na boca uma série de sons vocálicos que duram de 1/16 segundos e repetem a cada 1/15 segundo. Enquanto os sons são emitidos, o ar sai dos pulmões a mais de 100 Km/h.

Uma gargalhada provoca aceleração dos batimentos cardíacos, elevação da pressão arterial e dilatação das pupilas. Os adultos riem em média 20 vezes por dia, e as crianças até dez vezes mais. Rir é um aspecto tão inerente à existência humana que esquecemos como são interessantes esses ataques repentinos de alegria.

Por que as pessoas riem quando escutam uma piada? Segundo o escritor húngaro Arthur Kostler (1905-1983), o riso é um reflexo de luxo, que não possui utilidade biológica.

Entretanto a Natureza não investe em algo inútil, acredita-se que o impulso de rir possa ter contribuído para a sobrevivência no decurso da evolução.

A gelotologia que pesquisa sobre o riso, aponta que esta é a mais antiga forma de comunicação.

Os centros da linguagem estão situados no córtex mais recente, e o riso origina-se de uma parte mais antiga do cérebro, responsável pelas emoções como o medo e a alegria. Razão pela qual o riso escapa ao controle consciente. Não se pode dar uma boa gargalhada atendendo a um comando, muito menos é possível reprimi-la.

O riso pode apresentar um aspecto físico, cognitivo e emocional. Acontecimento este, que não reduz o senso de humor a uma única região do cérebro.

Rir, achar algo engraçado, é um processo complexo, que requer várias etapas do pensamento.

Equipe Brasil Escola

sábado, 16 de agosto de 2008

MUDANÇA DE GRAFIA - MUDANÇA DE SIGNIFICADO

Quando uma pequena mudança de grafia faz uma enorme mudança de significado.
- A gente e agente

a) A gente = nós; o povo, as pessoas.

Exemplo: Nós vamos à praia este fim de semana. (Forma mais culta.) .
A gente vai à praia este fim de semana. (Forma mais popular.)

b) Agente = indivíduo encarregado, responsável por determinada ação: aquele que age. Agente possui também outros significados.
Exemplo: Meu pai é agente de viagens da Varig.

- Bebedouro ou bebedor d'água

............. Internauta me passou e-mail, inconformado com a inscrição que há na estação rodoviária de Araçatuba: "bebedor d'água". Bebedor é aquele que bebe muito.
Exemplo: Joaquim é um bom bebedor de cerveja.
"Bebedouro", segundo o Aurélio, é designação genérica de diferentes tipos de aparelhos ligados à rede hidráulica de edifícios, que fornecem água a temperatura normal ou gelada, e que permitem beber sem necessidade de copo, muito utilizados em escolas, fábricas, escritórios, lojas, etc. Que tal o administrador fazer a correção: bebedouro d'água?
Araçatuba gosta de dar demonstração aos visitantes de que cuida mal do português. As placas colocadas nos canteiros centrais da av. Brasília é um exemplo evidente disso.

- QUE POBREZA!
............ O certo é mendicância e não mendigância, como algumas pessoas falam. Ocorre aqui uma contaminação fonética indevida por causa do verbo mendigar.

- UM ERRO QUE NÃO DÁ PARA DISFARÇAR
............No dia-a-dia, certas palavras tendem a mudar de rosto. Já se vêem pessoas falarem (e escreverem) desfarce em lugar de disfarce. Talvez a confusão se deva à semelhança com o verbo desfazer, por meio de contaminação fonética.

- NÃO CONFUNDA ALHOS COM BUGALHOS
............A semelhança fonética de duas palavras não supõe que signifiquem a mesma coisa ou sejam escritas do mesmo modo. Três exemplos para evitarmos tropeços: peão (empregado, operário) e pião (brinquedo infantil); soar (produzir som) e suar (transpirar); xeque (soberano árabe) e cheque (documento bancário).

- CAINDO A MÁSCARA
............Cada palavra tem o seu significado próprio. Desmistificar é bem diferente de desmitificar. Desmistificar uma pessoa é desmascará-la, mostrar que não é uma santinha e que não merece confiança. Desmitificar um artista, por exemplo, é apenas revelar que ele é uma pessoa comum, e não um mito.

- QUEM NÃO CHORA NÃO MAMA
............Por vezes uma letrinha pode ser decisiva na hora de grafar uma palavra. E um descuido pode causar problemas sérios. Por exemplo: na maternidade, quem é lactante e quem é lactente?
Lactante é a mãe ou uma mulher que amamenta a criança de peito. Já o lactente é o bebê que está em idade de mamar. E quem não chora...

- Diferença
............Uma letra faz a diferença. E que diferença! O Correio Braziliense desconhece a regra. Escreveu ''ataque eminente'' em vez de ''iminente''. Eminente quer dizer importante, de alta qualificação (eminente deputado). Iminente significa prestes a acontecer: A queda dos juros parece iminente.

Da equipe RESENHAS: resenhas@resenhas.com

terça-feira, 12 de agosto de 2008

A IMAGEM EM FOCO - 2º ANO







Moças à margem do Sena; Verão (1857), de Gusteve Courbet.










Depois de ler e pesquisar sobre o Realismo, observe o quadro de Gustave Courbet, o fundador do realismo na pintura e responda às questões propostas.

1 - O título do quadro dá pistas importantes para sua compreensão. Além disso, observe alguns detalhes da tela como o buquê de flores que uma das moças tem sobre o corpo, uma bolsa com tom vermelho vivo na parte direita superior e um barco ancorado na margem do rio.
a) Em que lugar estão as moças retratadas?
b) Como provavelmente as moças chegaram a esse lugar?
c) O que supostamente foram fazer lá?
d) O que porvavelmente estavam fazendo, antes de se deleitarem para descansar?

2 - Na pintura clássica, era comum as personagens e as cenas retratadas fazerem parte de uma história conhecida, quase sempre da mitologia. Na pintura romântica, havia preferência por painéis grandiosos,dramáticos, cheios de emoção. Tais características se verificam no quadro em estudo? Justifique sua resposta com características das personagens do quadro.

3 - Na pintura romântica, tanto a natureza quanto os seres humanos são retratados de forma especial, elevada, grandiosa. As personagens, destacadas por sua beleza ou pela grandiosidade da situação, dão sempre a impressão de estar posando para o pintor. Observe as personagens do quadro de Courbet.
a) As duas moças apresentam uma beleza idealizada?
b) Na sua opinião, o ambiente natural tem um papel decisivo na significação do quadro ou é um cenário comum?
c) As personagens parecem estar posando para o pintor ou parecem ter sido flagradas num momento de descontração e intimidade? Por quê?

4 - a) Quais dos seguintes sentimentos e sensações é possível depreender do quadro de Courbet?
. Sentimento místico . tédio
. Sensualidade . preguiça
. calor . delicadeza
. sonolência . alegria
. amor
b) Logo, o quadro parece estar interessado em captar aspectos físicos e materiais ou interiores espirituais?

5 - Considerando as respostas dadas na questão anterior, conclua: A obra em estudo é mitológica, grandiosa, dramática idealizada, ou é uma obra que se aproxima do real?

6 - Leia os dois comentários, um do próprio Courbet e outro de um crítico de arte:

I - "A pintura é uma arte essencialmente concreta, e não pode consistir senão na representação de coisas reais e existentes." (Gustave Courbet)

II - " Courbet quer viver a realidade como ela é, nem bela nem feia: para chegar a isso, não tendo outro caminho, desfaz-se de todos os esquemas, preconceitos, convenções, tendências do gosto. Para tocar a verdade, ele elimina a mentira, a ilusão, a fantasia. Tal é o seu realismo, princípio antes moral do que estético." (Giulio C. Argan)
Confronte-os com o quadro em estudo e responda: A tela Moças à margem do sena; Verão corresponde aos princípios estéticos defendidos por Caourbet e aos comentários feitos pelo crítico? Justifique.

Sucesso em sua tarefa.

Fonte: Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 2: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005

A linguagem do Realismo, do Naturalismo e do Parnasianismo - 2º Ano




Os quebradores de pedra (1850), de Gustave Coubert.

Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas se empenharam em retratar o homem e a sociedade em conjunto. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida, como haviam feito os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do casamento por interesse, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo, da impotência do ser humano comum diante dos poderosos.





Arrufos (1887), de Belmiro Barbosa de Almeida.

O quadro demonstra o preocupação dos artistas da época do Realismo em retratar a vida conjugal e a condição da mulher no casamento. No quadro, a posição da mulher - sentada no chão e de costas para o marido - e a rosa caída no chão se compõem ao ar de superioridade do marido, sentado no sofá, num plano acima da esposa. O que teria levado o casal à briga? Quem teria levado a pior?


Vaso chinês, dinastia Qing - Museu Britânico.



A arte sobre a arte. Distanciados dos problemas sociais, alguns parnasianos dedicaram-se a tematizar em seus poemas a própria arte. Por exemplo, descrevem com precisão obras de arte, como vasos, peças de escultura, lápides tumulares, bordados, etc. Com esse procedimento, restringiram ainda mais o princípio da arte pela arte, que se transformou em arte sobre arte.


Na segunda metade do século XIX, a literatura européia buscou novas formas de expressão, sintonizadas com as mudanças que ocorriam em diferentes setores: filosófico, científico, político, econômico e cultural. A renovação na literatura manifestou-se na forma de três movimentos literários distintos na França: o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo. O realismo teve início com a publicação de Madame de Bovary (1857), de Gustave Flaubert; o Naturalismo, com a publicação de Thérèse Raquim, de Émile Zola; e o Parnasianismo, com a publicação das antologias parnasianas intituladas Parnasse contemporain (a partir de 1866).

Embora guardem diferenças formais e ideológicas, essas três tendências apresentam alguns aspectos comuns: o combate ao romantismo, o resgate do objetivismo na literatura e o gosto pelas descrições.
De modo geral, pode-se dizer que o Naturalismo é uma espécie de Realismo científico, enquanto o Parnasianismo é um retorno da poesia ao estilo clássico, abandonado pelos românticos.

A seguir você verá alguns tópicos sobre a linguagem da prosa realista:


1 - A descrição é um recurso utilizado tanto na prosa romântica quanto na prosa realista, mas com finalidades diferentes.

2 - Preocupada em retratar a realidade de modo objetivo, quase documental, a prosa realista geralmente é marcada pelo registro preciso do tempo e do espaço e pela narrativa lenta como forma de captar as sutilezas dos personagens com o propósito de observar o ser humano em sua totalidade, tanto exteriormente quanto interiormente. O retrato interior das personagens - isto é, a focalização dos seus conflitos, pensamentos, anseios, reflexões, desejos, etc. - chamado de introspecção psicológica.

3 - O romantismo supervaloriza o indivíduo e suas particularidades. Já o realismo, mesmo trabalhando em profundidade a personagem, tende a buscar nela aquilo que é universal, isto é, comum a cada um de nós e que define a nossa condição humana.

A linguagem da prosa naturalista

l - Um procedimento característico da prosa naturalista é apresentar o ambiente físico e social detalhadamente, como se o narrador estivesse munido de uma máquina fotográfica com lentes do tipo zum, que lhe permitisse compor e decompor os detalhes de cada coisa.

2 - A sua linguagem caracteriza-se pela adoção de uma postura analítica e científica diante da realidade. Por isso, faz uso freqüente da narração impessoal e de descrições minunciosas, com muitas sugestões visuais, oflativas, táteis, e auditivas.

3 - A prosa naturalista tem preferência pelo retrato de agrupamentos coletivos.

4 - No retrato das personagens, predomina a abordagem física e social.

5 - Os homens e mulheres são vistos por uma perspectiva biológica, em que se destaca o seu lado físico, instintivo, animal, por vezes até degradante.

A linguagem da poesia parnasiana

1 - Diferentemente do Realismo e do Naturalismo, que se propunham a descrever, analisar e criticar a realidade, os parnasianos defendiam o princípio da arte pela arte , isto é, achavam que a poesia devia voltar-se para si mesma, em busca da perfeição formal.

2 - O poeta parnasiano tende a abordar temas de uma forma racional e objetiva.

Boa leitura!
Fonte: Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 2: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005

FIQUE LIGADO! PESQUISE!

Para você ampliar os seus conhecimentos sobre a literatura realista, naturalista e parnasiana sobre o contexto da época, veja algumas sugestões:

VÍDEOS

A sedutora Madame de Bovary, de Vicente Minnelli; Germinal, de Claude Berri; Sacco e Vanzetti, de Giuliano Montaldo; Os companheiros, de Mário Monicelli; Tempos Modernos, de Charles Chaplin; Brás Cubas, de Júlio Bressane; O primo Basílio de Daniel Filho; O cortiço, de Francisco Ramalho Jr.; Memória póstumas, de André Klotzel; O crime do padre Amaro, de Carlos Carrera; Os Maias, de Luis Fernando Carvalho; Dom, de Moacyr Góes.

LIVROS

Madame Bovary, de Gustave Flaubert (Ediouro); Ilusões perdidas, de Honoré de Balzac (Ediouro); Germinal, de Émile Zola (Hemus); O vermelho e o negro, de Sthendal (Globo); Os irmãos Karamazov, de Dotoiesvski (Ediouro); Guerra e paz e Anna Karenina, de Léon Tolstoi (Itatiaia e Ediouro); A brasileira dos prazins, de Camilo Castelo branco (Nova Fronteira); O primo Basílio, Os maias e o Crime do padre Amaro, de Eça de Queirós (Ática); Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba, de Machado de Assis (Ática); Capitu, de Lygia Fagundes Telles e Paulo Emilio Salles Gomes (Siciliano); O cortiço, Casa de pensão e o Mulato, de Aluísio de Azevedo (Ática); O missionário, de Inglês de Souza (Ática); O Xangô de Baker Street, de Jô Soares (Companhia das Letras); Antologia de poesia brasileira - Realismo e Parnasianismo (Ática).

ARTES PLÁSTICAS

Conheça a pintura realista, principalmente as obras de Gustave Courbet, Daumier e do pré-realista Millet. Pesquise em livros como: Para entender a arte, de Robert Cumming (Ática); História da pintura, de Wendy Beckett (Ática); Estilos, escolas e movimentos, de Charles Harrison (Cosac e Naify).

PESQUISA

Pesquise sobre correntes filosóficas e científicas como o positivismo, de Augusto Comte; o determinismo, de Hipolyte Taine; o evolucionismo de Charles Darwin; o socialismo científico, de Max e Engels.

SITES
carosamigos.terra.com.br/do_site/so_no_site03.asp
www.ponteiro.com.br/arte/paint11/franc4.htm
www.mundocultural.com.br/literatura1/
nilc.icmc.sc.usp.br/literatura/movimentosliter.rios.htm
www.sitedeliteratura.com/literatura.htm

Fonte: Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 2: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

ERROS POPULARES - 2

Veja a seguir uma lista com os principais erros cometidos na linguagem do dia-a-dia, seja na fala ou na escrita. Aprenda e divirta-se!

Não existe evento beneficiente. Existe evento beneficente.
Você não vai gospir. Vai cuspir.
O peixe não tem espinho, mas sim espinha (dorsal).
Se você é homem, diga obrigado. Se for mulher, diga obrigada.

Não diga "fazem dois anos". O verbo fazer, quando designa tempo, é impessoal. O correto é "faz dois anos".

Nunca diga "haviam muitas pessoas no local". Neste caso, o verbo haver não tem um sujeito com quem concordar, pois ele tem o sentido de existir. Logo, o correto é "havia muitas pessoas no local".
Minha mãe pediu para eu fazer, para eu comprar e não para mim fazer ou para mim comprar.

É bastante comum, principalmente no telemarketing, o uso excessivo do gerúndio. Não diga "vou estar mandando", "vou estar verificando" e sim "vou mandar", "vou verificar". Por exemplo, se você disser: "esta semana estarei lhe enviando um e-mail", pode parecer que passará a semana toda enviando um e-mail para a pessoa. Portanto, prefira dizer "esta semana irei lhe enviar um e-mail".

Você não come mortandela. O que você come é mortadela.
Aquele sujeito deitado na rua não é um mendingo, mas sim um mendigo.
Ninguém toma iorgute. Todos tomam iogurte.
A janela do seu banheiro não é uma vasculhante, mas sim uma basculante.
Seu sapato não possui cardaço, mas sim cadarço.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

PRODUÇÃO ESCRITA - ATIVIDADE PARA 2º E 3º ANO

A notícia e a reportagem
Na época em que o romantismo florescia, surgiram na Europa e no Brasil os primeiros jornais. Embora fossem bem diferentes dos jornais de hoje, neles é que a maior parte dos romances foi publicada, em forma de folhetim (a história era publicada aos poucos). Junto com esses folhetins, difundiam-se também as notícias e, depois, também reportagens, os dois principais gêneros jornalísticos, os quais certamente você já conhece.

Tanto a notícia quanto na reportagem são formas de relatos.

Numa notícia, relata-se um fato recém-ocorrido, que seja supostamente de interesse público: um crime, um evento político, um acontecimento que, de tão inusitado, torna-se interessante, etc.

Quanto à reportagem, é esse o nome que se dá à matéria jornalística resultante de um trabalho de pesquisa ou de investigação sobre um fato de sociedade. Assim, o que distingue basicamente uma notícia de uma reportagem é que a primeira está necessariamente ligada a um acontecimento, e a segunda não.

Do ponto de vista formal, há também algumas diferenças:

A notícia é geralmente mais curta e se caracteriza como um texto essencialmente narrativo, centrado no acontecimento noticiado.
O primeiro parágrafo da notícia chama-se lead, deve conter cinco informações básicas sobre o acontecimento:
· O que aconteceu;
· Quem provocou esse fato;
· Quando e onde aconteceu;
· Por quê.Os demais parágrafos podem trazer detalhes, explicações adicionais e justificativas. A reportagem é normalmente mais longa e se caracteriza como um texto que combina narração e explicação. Na reportagem são muito usadas formas de testemunho, convocam-se especialistas para explicar o tema, e por isso há uma presença grande de formas de citação, como o discurso direto e o discurso indireto (consultar a Gramática para compreender o que são esses tipos de discurso).


As atividades propostas a seguir devem ser executadas em grupo.
1 - Selecionar, de jornais e revistas de atualidades, textos que possam ser considerados notícias ou reportagem. Classifica-los como notícia ou reportagem de acordo com as características indicadas anteriormente. Nas notícias, encontrar o lead, e verificar se ele responde às questões o quê?, quem?, quando?, onde?, e por quê?.2 - Verificar se há imagens que compõem ou acompanham esses textos. Em caso afirmativo, qual será a função dessas imagens?
3 -Nos veículos de imprensa pesquisados, há mais notícias ou reportagens? Relacionar sua resposta à finalidade a que se destinam esses veículos.
4 - Um tipo especial de notícia é o fiat divers: trata-se de relatos de casos estranhos, extraordinários, bizarros ou fora do comum. Entre as notícias encontradas, há algum fiat divers?
5 - A cidade é um espaço de múltiplos acontecimentos. A partir de um fato recém-ocorrido em sua cidade, ou, melhor ainda, em seu bairro, elabore uma notícia. Levar em conta as características desse tipo de texto. Lembre-se: um fato noticiável deve ter relevância social, caso contrário, não haveria necessidade de ser noticiado.
Sucesso!!

OS GÊNEROS JORNALÍSTICOS

Esse assunto tem por objetivo incentivar nos alunos a necessidade de ler, interpretar e conhecer criticamente o jornal.

Segundo a classificação tradicional, os gêneros jornalísticos são:

Informativo: textos em que a informação deve ser objetiva e imparcial;
Interpretativo/crítico: a informação é interpretada com base em comparações e análise;
Opinativo: texto que explicita o ponto de vista do jornalista;
De entretenimento: textos destinados à diversão;
A divisão nem sempre atende à classificação de todos os textos presentes no jornal. É o caso, por exemplo, dos textos de serviço (mapas meteorológicos etc.) e os textos especializados. São muitos os tipos de textos que aparecem no jornal, e cada um tem sua forma própria de construção.
A seguir listarei resumidamente alguns tipos de textos, lembrando que cada jornal tem sua forma própria de organização e está sempre procurando inova-las:

ANÚNCIO - Texto com finalidade comercial, institucional ou política. Pode ser a venda de um produto, serviço ou de uma idéia. Ou a indicação de um filme ou evento cultural. A intenção é persuadir o leitor. Às vezes, assume a forma explícita de propaganda; outras, não.
ARTIGO – Texto interpretativo e opinativo, geralmente assinado, que desenvolve um tema ou comenta um assunto.
CARTAS - Textos escritos por leitores e respostas do jornal.
CARTUM - Anedota gráfica critica costumes e hábitos. Pode ser charge.
CHAMADA - Texto curto na primeira página que resume o assunto e remete para a leitura nas páginas internas do jornal.
CHARGE - Do francês charge, desenho humorístico de cunho político.
CRÍTICA - Opinião fundamentada sobre determinado assunto ou manifestação cultural, elaborada a partir de um padrão acadêmico, normalmente escrita por pessoas que entendem profundamente do assunto.
CRÔNICA - Texto livre sobre o assunto do cotidiano. O acontecimento é a matéria do cronista, mas, diferentemente da notícia, a crônica pode criar e comentar o fato, aproximando-se do texto literário.
DECLARAÇÃO TEXTUAL - Reprodução idêntica ao que foi dito, confere credibilidade à notícia. Às vezes vem acompanhado da palavra sic (que significa “assim mesmo”) entre parênteses, ou seja, se há algo estranho ou errado, faz parte da declaração.
EDITORIAL - Texto opinativo expressa o ponto de vista e tendências do jornal.
ENTREVISTA - Recurso para confirmação dos fatos, pode resultar em notícia ou fazer parte de uma reportagem; aparece, às vezes, na forma de pergunta e resposta.
LEGENDA - Texto breve que acompanha uma ilustração ou foto.
LIDE-Resumo inicial a ser desenvolvido no corpo do texto.
MANCHETE - Título principal, publicação de destaque.
MATÉRIA - Nome genérico de tudo aquilo que é publicado no jornal.
NOTÍCIA - Relato de fatos atuais de interesse público.
PROPAGANDA - Texto explicitamente persuasivo na forma e no conteúdo.
REPORTAGEM - É mais do que uma notícia; não só verifica os fatos, mas vai à procura das origens, das causas e dos efeitos. Muitas vezes, ocupa páginas inteiras do jornal. Incluem fotos, ilustrações, textos diversos que integram um mesmo assunto.
TEXTO-LEGENDA-Resumo da notícia ou fato, sem divisão de parágrafos. Pode ser uma chamada de primeira página.

ERROS POPULARES

Veja a seguir uma lista com os principais erros cometidos na linguagem do dia-a-dia, seja na fala ou na escrita. Aprenda e divirta-se!

Você não chega em casa meia cansada.
Você chega meio cansada.
Deixe a meia para colocar no pé.

Você não chega do futebol soando, a não ser que seja um sino.
O correto é suando.

Não use a expressão "a nível de", que é um modismo criado nos últimos anos.
Use "em nível de".
Por exemplo: "O problema será resolvido em nível de diretoria".
A exceção ocorre quando nos referimos a um nivelamento.
Por exemplo: "Esta cidade não fica ao nível do mar".

Elimine as palavras seje e esteje do seu vocabulário, pois elas não existem.
Nunca escreva para um amigo dizendo "seje feliz" ou "espero que esteje bem".

Ninguém tem poblema ou pobrema.
As pessoas têm problemas.

Não havia "menas pessoas" na aula ontem.
Havia "menos pessoas".

Você não apóia a cabeça em um trabisseiro, mas sim em um travesseiro.

Não peça trezentas gramas de queijo.
É O grama e não A grama.

Ele não é di menor, nem di maior.
É simplesmente maior ou menor de idade.

Ninguém desenha um asterístico.
O correto é asterisco.

terça-feira, 22 de julho de 2008

FIQUE LIGADO! PESQUISE!

Para você saber mais sobre a década de 1930 e a prosa da segunda fase do Modernismo brasileiro, veja as sugestões:
VÍDEOS
São Bernardo, de Leon Hirszman; Vidas secas e Memórias do cárcere, de Nelson Pereira dos Santos; Deus e o diabo na terra do Sol, de Glauber Rocha; Menino de engenho e Capitães da areia, de Walter Lima Júnior; Dona Flor e seus dois maridos e Gabriela, de Bruno Barreto; O quatrilho, de Fábio Barreto; Tieta do Agreste, de Cacá Diegues; Bela Donna, de Fábio Barreto.
LIVROS
O Quinze, de Rachel de Queiroz (Siciliano); Vidas secas e São Bernardo, de Graciliano Ramos (Record); Banguê e Fogo morto, de José Lins do Rego (José Olympio); Capitães de areia e Terras do sem-fim, de Jorge Amado (Record); Ana Terra, Um certo capitão Rodrigo e Incidentes em Antares. de Érico Veríssimo (Globo); Os ratos, de Dionélio Machado (Ática); Crônica da Casa assassinada, de Lúcio Cardoso (Ediouro); Os Corumbas, de Armando Fontes (José Olympio).
MÚSICA
Ouça os compositores de música popular brasileira da época, como Noel Rosa, Ari Barroso, Ataulfo Alves, Leonel Azevedo, Heitor dos Prazeres, Ismael Silva, Orestes Barbosa, e os compositores que tratam de temas nordestinos, como Luiz Gonzaga, Luiz Vieira, Elomar, Diminguinhos, além do poeta popular Patativa do Assaré.
PESQUISA
Pesquise a história do Brasil na década de 1930: o crack da Bolsa de Valores de Nova York (1929) e seus efeitos na economia brasileira, a Revolução de 30, a crise cafeeira, a Intentona Comunista, o Estado Novo, etc.
OS SITES
Veja abaixo listados em sugestões de Links
Fonte: Cereja, William Roberto. Português: linguagens: vol. 3: ensino médio. 5. ed. - São Paulo: Atual, 2005.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

PRODUÇÃO ESCRITA - 2º e 3º ANO

Epitáfio

Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr

In: TITÃS. A melhor banda de todos os tempos da última senana. 2001.


LEMBRANÇA DE MORRERÁlvares de Azevedo

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro...
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro...

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade — e dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
E de ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minhas tristezas te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Poucos, — bem poucos! e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei!... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Ó tu, que à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se vivi... foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu! eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz! e escrevam nela:
— Foi poeta, sonhou e amou na vida. —

Sombras do vale, noites da montanha,
Que minh’alma cantou e amava tanto,
Protejei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe um canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando, à meia-noite, o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri as ramas...
Deixai a lua pratear-me a lousa!

AZEVEDO,Álvares de. Poesias completas. Rio de Janeiro. Ediouro. 1996.p. 37-8. (Coleção Prestígio).

RESPONDA

1 - Álvares de Azevedo é representante do Ultra-Romantismo brasileiro. Que características do poema lido justificam essa afirmativa?

2 - De quem o poeta confessa que sentirá saudades quando morrer?

3 - Epitáfio é uma inscrição que se coloca sobre o túmulo. Localize no texto o epitáfio que o
poeta solicita para si.

4 - Geralmente, o artista é porta-voz do seu tempo. Em grupo, comparem o poema lido com a letra da música "Epitáfio", de Sérgio Britto, transcrita acima. Apontem diferenças e semelhanças, tentando identificar em que medida os textos são influenciados pela época em que foram escritos.

Sucesso!!

COISAS ROMÂNTICAS

O dedo anular é aquele em que vai a aliança. Nos casados, no dedo anular da mão esquerda.
Você sabe por que na mão esquerda?
Os gregos acreditavam que pelo dedo anular esquerdo passava uma veia que levava diretamente ao coração. Dessa forma, o anel simbolizaria que os corações dos amantes seriam atraídos para sempre um pelo outro.

ROMANTISMO PROSA - 2º ANO

A narrativa de ficção desenvolveu-se com o Romantismo, graças ao gosto pela leitura de folhetins, que começaram a circular no Brasil a partir de 1827, traduzidos do francês e publicados pelo Jornal do Commércio.
Os folhetins eram histórias de ficção de enredos complicadíssimos, publicados em capítulos. Ansiosos por saber como prosseguia a obra, os leitores acompanhavam o desenrolar lento das histórias, participando, às vezes com opiniões sobre o andamento da ação ou até com sugestões para o desfecho.
O primeiro romance brasileiro foi A filha do pescador (1843), de Teixeira e Souza. O romance romântico apresenta no Brasil quatro tendências: o romance urbano, o indianista, o regionalista e o histórico.

Romance urbano
Criador Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar.

Temática
Conhecido como romance de costumes, consegue retratar e criticar os costumes da sociedade carioca do séc. XIX. As complicadas histórias de amor e aos perfis femininos idealizados mesclam-se o estudo psicológico, muitas vezes de surpreendente complexidade, e a crítica à superficialidade e à duplicidade dos valores morais burgueses. Obras como Senhora, Cinco minutos, A viuvinha, Lucíola, Diva, A pata da gazela, Sonhos d’ouro entre outras.
Romance indianista
O grande representante é José de Alencar

Temática
A valorização do nosso indígena, uma vez que não tivemos Idade Média. Essa busca das nossas raízes conduz ao nacionalismo, uma das principais características românticas. Obras O guarani, Iracema, e Ubirajara.

Romance regionalista

Bernardo Guimarães, Visconde de Tunay, Franklin Távora.
Temática

Nossos escritores regionalistas procuraram fixar traços peculiares da cultura e da natureza de determinadas regiões do país. Obras A escrava Isaura, O Seminarista, Inocência, O cabeleira, O gaúcho, O sertanejo, o tronco do ipê, entre outras.

Romance histórico

Destaca-se José de Alencar, Bernardo Guimarães.
Temática

Preocupados em enfatizar o nacionalismo em suas obras, alguns de nossos escritores românticos dedicaram-se à reconstituição de fatos da história brasileira. Os romances escritos com essa finalidade têm, portanto, um caráter histórico. Obras As minas de prata e A guerra dos mascates, Alfarrábios entre outras.







Do filme o Guarani inspirado no romance homônimo de José de Alencar - O Guarani, sua obra prima na prosa romântica.








Leitura - Almeida Júnior. A mulher e o estudante forma dois alvos do romance romântico, cujos enredos passaram a ser ambientados no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro.












Caipira picando fumo, quadro de Almeida Jr. (1893). Essa é uma visão do homem regionalista a luz brasileira, retratado pelo pintor.








Fonte : Faraco, Carlos Emilio. Português: Projetos, volume único. Ed Ática, 2005.
Campedelli, Samira Yousseff. Literatura e Produção de Textos e Gramática, volume único. Ed Saraiva, 1998.

NOTÍCIAS SOBRE A REFORMA ORTOGÁFICA

Brasil recebe dicionário pós-acordo ortográfico

Com sede em São Paulo, a editora portuguesa Texto Editores lança, em 15 de maio, o "Novo Dicionário da Língua Portuguesa - Conforme Acordo Ortográfico", o primeiro do gênero publicado no país com as mudanças que ocorrerão na nossa grafia assim que o acordo estiver em vigor.
O governo de Portugal aprovou em 6 de março a proposta do segundo protocolo modificativo do acordo ortográfico da língua portuguesa. Mas a transição para a nova grafia só ocorrerá em seis anos por lá, segundo o Conselho de Ministros Português.
Até lá, só o Brasil confirmou que adotará a mudança já em 2010, quando os didáticos inscritos no Programa Nacional do Livro Didático terão de estar em conformidade com o novo acordo.
O "Novo Dicionário" contém 125 mil verbetes num volume de tamanho médio. Foi lançado em Portugal em março. O título contou com a colaboração dos lingüistas João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia.
26/05/2008
Fonte: Revista Língua Portuguesa

segunda-feira, 14 de julho de 2008

POESIA ROMÂNTICA - 2º ANO

A trajetória temática da poesia romântica apontou para a ênfase social e para o lirismo subjetivo. Para verificarmos seu desenvolvimento, utilizamos a divisão tradicional das gerações de poetas:

Primeira geração

Gonçalves de Magalhães
Gonçalves Dias

Temáticas indianista e amorosa
Principal expoente: Gonçalves Dias, com sua poesia de maior elaboração artística. O nativismo indianista de seus poemas e a sua poesia lírica amorosa abriu caminhos para os poetas posteriores.

Segunda geração

Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela

Temáticas ultra-românticas e byronianas

Principal expoente: Álvares de Azevedo, um poeta insatisfeito com as formas convencionais do cotidiano. Foi a geração do mal-do-século, que transformou a realidade social e histórica em fatalidade contra a qual não se poderia lutar. Casimiro de Abreu também representou, embora de forma mais amena.

Terceira geração

Castro Alves

Temáticas sociais (condoreirismo) e poesia lírica erótica.

Geração marcada por uma poesia participante em torno da Abolição da Escravatura e das campanhas pela República. Temas amorosos eróticos, de um lirismo mais sensual.


Rugendas - Negros no porão de um navio. Castro Alves destacou-se pelo tom vigoroso de sua poesia, de versos ressonantes, indignados, expressivos. É o que se pode sentir no belo e feroz poema O navio negreiro, inserido na obra Os escravos.





A adormecida - Renoir. Como característica de Álvares de Azevedo em relação ao enfoque da mulher ele a vê como: pálida, virgem, anjo, sonhos, etc.






Marabá - Rodolfo Amoêdo. Ilustração do poema indianista do mesmo nome de Gonçalves Dias.
Marabá = de mistura (mestiça). Ela tem feições branca mas espírito de índia além de sua formosura.
















sábado, 12 de julho de 2008

ROMANTISMO -SÉCULO XIX - 2º ANO

Essa palavra, de uso muito corrente, apresenta muitos significados. Veja alguns trechos de jornais, revistas e textos vinculados pela internet, em que aparece a palavra romantismo ou o adjetivo correspondente, romântico:


1 - Romântico exagerado, Cazuza faria 45 anos nesta sexta; cantor morto em 1990 injetou dor-de-cotovelo no rock.
Site do provedor Terra. 03/04/2003 - 10h.

2 - Atualmente, o romantismo só é bem-vindo quando possui um "quê" erótico.
Entrevista do ator Luigi Baricelli. Antevê. Joenvile, 13/10//2002. Jornal on-line.

3 - Gramado é uma cidade belíssima, com um clima muito romântico.
Roteiro romântico. In: www.namorando.com.br/

Diga-me o que a palavra romantismo significa para você?



A liberdade guiando o povo, pintura de Eugène Delacroix - 1830. A obra faz referência à violenta reação da burguesia aos decretos assinados por Carlos X que visavam trazer de volta o regime absolutista. A figura mais marcante do quadro é um alegoria da Liberdade, conceito estremamente cultuado pelos românticos.



O Romantismo como estilo de época está relacionado a dois acontecimentos que mudaram a Europa: a Revolução Industrial, que fortaleceu a burguesia, e a Revolução Francesa, que deu o golpe definitivo nos privilégios da aristocracia. O absolutismo cedeu lugar ao liberalismo, princípio que que assegurava a liberdade individual na política, na moral, na religião... E o individualismo tornou-se um valor essencial para a sociedade da época.
Para compreender esse estilo de época se faz necessário aprofundar-se nas diversas leituras já indicadas. Conto conto com seu interesse, mas desde já vamos colocar em prática.
1 - Acompanhe a letra da música Muito romântico, de Caetano Veloso:
Não tenho nada com isso nem vem falar
Eu não consigo entender sua lógica
Minha palavra cantada pode espantar
E a seus ouvidos parecer exótica
Mas acontece que eu não posso me deixar
Levar por um papo que já não deu
Acho que nada restou pra guardar
Do muito ou pouco que ouve entre você e eu

Nenhuma força virá me fazer calar
Faço no tempo soar minha sílaba
Canto somente o que pede pra se cantar
Sou o que soa eu não douro a pílula
Tudo o que eu quero é um acorde perfeito maior
Com todo o mundo podendo brilhar no cântico
Canto somente o que não pode mais se calar
Noutras palavras sou muito romântico
(...)
Extraia do poema de Caetano Veloso características do Romantismo. Comente-as.

2 - Examine os quadros abaixo: o da esquerda guarda características rígidas do Classicismo, o da direita, inequívocas posturas românticas.









Que divergências entre as duas faces de mulher são notáveis nessas telas? Podemos dizer que existe uma visão clássica e uma visão romântica da mulher. Que visões são essas?









LUTAR COM PALAVRAS É A LUTA MAIS VÃ - 2° ANO

Você já parou para pensar que, por detrás de cada nome que vai na capa dos livros, há alguém que deixou registradas por escrito suas reflexões sobre o mundo e a vida?
Diariamente, uma quantidade considerável de pessoas " luta com as palavras" para que os livros cheguem a suas mãos.

O Lutador

Lutar com palavras é a luta mais vã.
Entanto lutamos mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,apareço e tento apanhar algumas para meu sustento num dia de vida.
(...)
DRUMMOND DE ANDRADE, Carlos.Poesia Completa e Prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1973,p.126.

O que pensa, esses artistas e intelectuais? por que se reúnem em grupos para disseminar suas idéias? Como elaboram seus modos de expressão? Por que, afinal, escrevem poemas, romances, contos, crônicas etc?
É através desses questionamentos que passamos a conhecer essa semeadura que foi e é deixada por eles formando uma grande Amazônia de livros, que compõem a literatura brasileira.
Partindo desse espírito de luta vamos viajar nas correntes românticas que virão a seguir.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A HISTÓRIA DAS PALAVRAS CRUZADAS - 2º E 3º ANO

A breve história das adivinhas, brincadeira que deu origem ao enigma e à charada, esta última o jogo em que primeiro apareceu a palavra cross-word (palavra cruzada) no título de um passatempo.

A brincadeira começou assim: séria

  • Quem engravida sem conceber, quem engorda sem comer?
  • O que é, o que é: vive batendo em você, mas é bom para a sua saúde?
  • O que é que cai na água e parte?


O primeiro jogo de adivinhação inventado pelo ser humano, e também o provável primeiro jogo de palavras da História, faz parte do folclore oral da maioria dos povos desde tempos imemoriais, assim como as lendas e os mitos. Segundo o "Guinness", o Livro dos Recordes, o mais antigo quebra-cabeças matemático também é uma adivinha, encontrada num papiro egípcio datado por volta de 1650 a.C. Eis o texto traduzido:

  • Quando eu estava me dirigindo para St. Ives (tradução inglesa), encontrei um homem com sete esposas. Cada esposa tinha sete sacos, e em cada saco havia um gato. Cada gato tinha sete crias. Crias, gatos, sacos e esposas, quantos estavam indo para St. Ives?

A tradição oral remonta as adivinhas, pelo menos, ao Egito Antigo. Exemplares remotos desse jogo também foram encontrados pelos historiadores em textos escolares da Babilônia, datados de muitos séculos antes de Cristo. São adivinhas semelhantes às da atualidade, com temas triviais, aparentemente destinadas às crianças.

Apesar do caráter leve e divertido desses exemplares e das adivinhas modernas, na Antigüidade a arte da adivinhação e especialmente o jogo das adivinhas estavam associados a assuntos mais sérios e até mesmo trágicos. A começar pela mais antiga adivinha de todas (segundo o escritor grego Plutarco e o poeta latino Ovídio), aquela proposta pela Esfinge aos viajantes que passavam pela estrada em direção à cidade grega de Tebas, capital da Beócia. Do alto de um rochedo, a Esfinge, que tinha corpo de leão, cabeça de mulher, rabo de serpente e asas de águia, propunha a adivinha e matava todo aquele não conseguisse resolvê-la.

A "adivinha da Esfinge" foi imortalizada por Sófocles em seu drama "Édipo Rei", escrito no século IV a.C. "Decifra-me ou te devoro" era o lema do monstro. Édipo foi o primeiro a acertar a resposta. Ao ouvi-la, a Esfinge teria se jogado ao mar, desaparecendo para sempre (ou se jogado do alto do rochedo, em outra versão da lenda, morrendo instantaneamente). Eis a adivinha, em uma de suas muitas versões:

  • Qual é o animal que, de manhã, caminha com quatro pernas, à tarde com duas e à noite com três, e é mais fraco quanto maior o número de pernas que utiliza?


Por seu feito, Édipo recebeu as recompensas prometidas àquele que derrotasse o monstro: o reino de Tebas e o casamento com a rainha, Jocasta - por acaso, mãe de Édipo, o qual havia sido abandonado ainda criancinha pelo pai, Laio, ao ouvir de um oráculo que o filho o mataria. O que, aliás, Édipo já havia feito, no caminho para se encontrar com a Esfinge, por causa de uma discussão boba sobre o direito de passagem num ponto da estrada. Mais tarde, ao ouvir de um outro oráculo as atrocidades que havia cometido involuntariamente, Édipo extraiu os próprios olhos e exilou-se para sempre de Tebas.

É importante ressaltar que a história de Édipo passou-na Grécia, enquanto a famosa estátua da Esfinge de Gizé situa-se no Egito. Esse monumento data do reinado de Quéfrem, na Quarta Dinastia, tendo sido erigido entre 2575 a.C. e 2465 a.C.

O conhecimento é uma fonte inesgotável, por isso alimente-o. Responda as adivinhas contidas na história.

Boa Sorte!!